É comum as pessoas terem certas manias, medos ou preocupações que as levam a determinados comportamentos. Em função disso, algumas são inclinadas a conferir, por exemplo, se fecharam o gás, se trancaram mesmo a porta antes de sair  de casa, se desligaram o ferro de passar roupa etc. Porém, quando esses comportamentos se tornam excessivos, interferindo no dia a dia e consumindo muito tempo da vida de uma pessoa, podemos dizer que ela está sofrendo do  transtorno obsessivo compulsivo (TOC).

No entanto, é preciso diferenciar o TOC da personalidade obsessiva, que se revela pela maneira metódica e perfeccionista de se lidar com as situações. Nesse caso, não há comprometimento que afete a vida da pessoa de maneira significativa. Pelo contrário, essas características podem até contribuir para o bom desempenho de algumas funções.

O que ocorre no TOC é que a pessoa se sente invadida por pensamentos que “martelam” sua mente, os quais surgem acompanhados de muita ansiedade, produzindo imenso mal-estar. Esse sofrimento só pode ser reduzido através de um ritual que o próprio indivíduo se impõe, visando neutralizar  sua angústia. Ele reconhece que esses pensamentos não têm nenhuma lógica e percebe também o absurdo de suas ações repetitivas. Mas, apesar da sua vontade, não consegue evitá-las.

Por esse motivo, é comum o portador de TOC esconder seus sintomas ou ter vergonha deles, sofrendo calado. Os exemplos mais comuns desse transtorno dizem respeito a preocupações com contaminação, doença, sujeira; impulso para contar, verificar, ordenar, alinhar; vontade de limpar exageradamente; mania de colecionar coisas sem utilidade; medo de perder o controle sobre os impulsos agressivos ou sexuais. A pessoa tem a sensação de que, se não fizer uma coisa de determinada maneira e repetidas vezes, algo de muito ruim pode acontecer com ela.

Muitas vezes a família ou os amigos, despreparados para lidar com a situação, podem criticar, ridicularizar ou cobrar maneiras mais simples de agir. Isso costuma gerar mais sofrimento, já que esses comportamentos não cedem a nenhum conselho, ou seja, a pessoa não tem nenhum domínio sobre eles, apesar da sua vontade.

Uma das características dos que sofrem de TOC é não saber lidar com a dúvida. Fazer uma escolha para eles é algo “torturante”. Além disso, a lentidão meticulosa durante a realização de tarefas simples torna seu dia a dia penoso.

Com a evolução do transtorno, a pessoa pode se acomodar  com o  seu sintoma, o que contribui para seu agravamento. O grau de comprometimento do sintoma no cotidiano é que vai determinar o momento de buscar ajuda. Infelizmente, muitos sites financiados por laboratórios ajudaram a criar o mito de que o TOC só é curado com remédios. Na verdade, trata-se de uma política de investimento na compra de medicamentos.

Sem dúvida, a medicação pode contribuir para diminuir o grau de ansiedade nos casos mais graves, estabilizando os sintomas.  Porém, é através do processo psicanalítico que a pessoa poderá lidar com os sentimentos de agressividade, medo, culpa e ansiedade que se escondem por traz do seu sofrimento.

Edázima Aidar é psicanalista pela Sociedade Campinense de Psicanálise.
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