Obviamente, nenhum profissional se faz de um dia para o outro. É preciso dedicar um bom tempo para se preparar para qualquer profissão. Vou mais longe: precisamos de tempo para organizarmos um evento ou fazermos uma viagem.

Aquilo que planejamos tende a dar mais certo, a fornecer resultados melhores. Porém, existem muitas pessoas que se escondem atrás do perfeccionismo porque nunca se sentem aptas a enfrentar novos desafios. Por mais que elas estudem e tenham uma larga experiência profissional, se sentem demasiadamente inseguras diante de qualquer projeto um pouco mais ousado, que exija uma dose a mais de exposição.

O perfeccionismo adentra também no terreno das relações afetivas e na vida social. Quantas mulheres lindas não deixam de colocar um biquini por que não se sentem suficientemente atraentes? Quantas pessoas que cozinham bem não se intimidam quando precisam preparar uma refeição para visitas, mesmo que os convidados sejam amigos e familiares?

Existem aqueles que recusam convites para festas porque não sabem o que vestir, ou deixam de interagir com estrangeiros porque o inglês não é perfeito, ou ainda resistem a entrar em relacionamentos afetivos porque temem não serem bons o bastante para encantarem alguém.

No campo profissional, vemos pessoas fazendo mais do mesmo a vida inteira. Profissionais gabaritados, formados por excelentes instituições, com anos de experiência, acomodados em empresas tacanhas ou engajados em projetos que nada agregam subjetivamente e às vezes nem objetivamente.

Existem os cantores que só aceitam cantar em corais , os poetas que escondem seus escritos, os professores que se prendem totalmente a dois ou três livros, os cozinheiros que fazem sempre as mesmas receitas testadas mil vezes, os terapeutas que utilizam uma linha conceitual de forma dogmática, sem colocar nada de si no processo analítico, os administradores que se restringem a gerenciar sistemas burocráticos. Os exemplos são muitos.

 

Devemos ficar atentos para não confundirmos seriedade profissional e cuidado pessoal com descrença em nossa capacidade para trabalhar, criar e amar.

 

Sílvia Marques é doutora em Comunicação e Semiótica, psicanalista lacaniana, escritora e atriz.

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