Do ponto de vista psicológico, o casamento é uma tentativa de concretizar fantasias e expectativas, conscientes e inconscientes. Cada parceiro carrega consigo sua bagagem de desejos, e tem a esperança de que sejam complementares aos do companheiro.

Viver junto implica em reeducar-se e aprimorar essa bagagem. Ensina o casal a superar, por meio do diálogo, as dificuldades que surgem no cotidiano. É através da expressão dos sentimentos que se conquista a compreensão e o respeito pelo outro e pelas suas necessidades.

O casamento enfrenta muitas crises, e elas podem ser resolvidas quando ainda existe um vínculo afetivo. Muitas dificuldades são superadas quando as pessoas envolvidas se esforçam para isso.

Casar também implica em “lutar” contra as feiticeiras e os dragões do cansaço, da rotina, dos momentos de irritação e desânimo. Para isso, é preciso ficar sempre alerta e tentar elaborar as dificuldades que surgem, antes que seja tarde demais.

Numa relação a dois, lidar com o tédio, com a invasão da privacidade e com o desamor é um desafio constante. De qualquer forma, antes de efetivar a separação, o casal deve sempre esgotar todos os recursos disponíveis. Entretanto, quando a separação é a saída, é necessário ter atitudes maduras e cuidadosas.

Existem elementos que, aos poucos, vão deteriorando a relação, de tal forma que ela se torna irreversível. São exemplos que prejudicam a relação: a mania de projetar no outro as dificuldades que são particulares de cada um, a renúncia à própria individualidade, para melhor se encaixar na expectativa do outro, a incompreensão, o desrespeito, a imaturidade e tantas outras atitudes.

Os psicanalistas são procurados tanto por casais que têm dificuldade de conviverem juntos (embora o amor seja recíproco) quanto por casais que querem se separar (quando o amor já não existe mais).

Prisioneiros de uma confusão que espelha seus conflitos, já que estão envolvidos emocionalmente com a situação, muitos casais passam a vida toda sem visualizar uma saída, sem tomar uma decisão.

E é justamente por estarem tão envolvidas na situação que a maioria das pessoas  deixa como está para ver como é que fica, e dificilmente percebe que a ajuda especializada é necessária.

O tratamento psicanalítico foca na qualidade do relacionamento, no significado dos laços afetivos e na possibilidade de sua reelaboração, já que vai em busca da causa inconsciente dos conflitos.

O aprofundamento da percepção de si mesmo pode resultar tanto na separação, nesse caso, assumida com menos agressividade e ressentimento, quanto na tentativa de manter a união, agora mais amadurecida, adulta, satisfatória e gratificante.

 

Edázima Aidar é psicanalista pela Sociedade Campinense de Psicanálise.
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