“O psicanalista deve alcançar em seu horizonte a subjetividade de sua época.”
A aposta lacaniana
Quem somos
Sustentar a clínica e levar a psicanálise ao debate público.
Caminhos da Psicanálise reúne psicanalistas comprometidos com a prática clínica e a transmissão do ensino lacaniano. Oferece cursos, seminários e atividades de estudo e leitura para quem busca uma primeira aproximação às obras de Freud, Lacan, Jacques-Alain Miller e psicanalistas contemporâneos, ou para quem deseja aprofundá-las.
É um espaço onde os pares estão atentos às formas com que o sofrimento humano hoje se apresenta, às incidências da psicanálise na cultura, aos impasses do sujeito no tempo presente e às novas formas do laço social. Procuramos levar a psicanálise ao debate público, sustentando a aposta lacaniana de que o psicanalista deve alcançar em seu horizonte a subjetividade de sua época.
Psicanalistas envolvidos
Quem sustenta a clínica e a transmissão.
Idealizador da clínica
Dr. Clovis Pinto de Castro
Psicanalista de orientação lacaniana · mais de 10 anos de prática clínica
Idealizador da Clínica Caminhos da Psicanálise. Fez parte do corpo de formação em psicanálise pelo Instituto de Psicanálise Lacaniana de São Paulo e participa dos cursos e atividades do Clin-a (Centro Lacaniano de Investigação da Ansiedade), da Escola Brasileira de Psicanálise e da Federação Americana de Psicanálise da Orientação Lacaniana. Participou da Clínica de Psicanálise do Centro de Estudos do Genoma Humano da USP, coordenada pelo psicanalista Dr. Jorge Forbes e pela geneticista Dra. Mayana Zatz. Em 2016, foi jurado do Prêmio Jabuti na área de Psicologia e Psicanálise.
Doutor em Ciências da Religião pela UMESP, com pesquisas no UTU e na Universidade de Sheffield (Inglaterra); mestre em Filosofia da Educação pela UNIMEP; graduado em Pedagogia e Teologia pela UMESP. Atuou como docente, pesquisador e gestor universitário — coordenador de cursos, diretor de faculdades e reitor. Há mais de dez anos dedica-se integralmente à clínica psicanalítica.
Psicóloga e psicanalista de orientação lacaniana · mais de 30 anos de prática e supervisão
Introduzida nos estudos lacanianos pelo professor Geraldino Alves Ferreira Netto, um dos pioneiros na transmissão da obra de Lacan no Brasil. Fez parte do corpo de formação em psicanálise pelo Instituto de Psicanálise Lacaniana de São Paulo e participa dos cursos e atividades do Clin-a, da Escola Brasileira de Psicanálise e da Federação Americana de Psicanálise da Orientação Lacaniana. Participou da Clínica de Psicanálise do Centro de Estudos do Genoma Humano da USP, coordenada pelo psicanalista Dr. Jorge Forbes e pela geneticista Dra. Mayana Zatz.
Doutora em Psicologia pela USP, mestra em Psicologia da Saúde pela UMESP e graduada em Psicologia pela UMESP. Atuou como pesquisadora e docente na graduação e na pós-graduação nas áreas de políticas públicas integradas, gestão, trabalho e subjetividade contemporânea. Participou, por mais de uma década, de grupos de pesquisa em fenomenologia, com publicações na área. Realizou pós-doutorado na Washington University, em Seattle.
Psicanalista
Sara França Castro
Psicóloga e psicanalista de orientação lacaniana
Pós-graduada em Psicanálise: clínica e sexualidade na contemporaneidade (PUC-MG), tem como principais objetos de pesquisa e interesses clínicos os debates sobre gênero, sexualidade e sofrimento político. Seus principais artigos abordam medicalização e infância, adolescência e psicologia escolar, feminino e literatura.
Fez parte do Núcleo de Investigação em Psicanálise e Saúde Mental, associado ao Instituto de Psicanálise e Saúde Mental de Minas Gerais e, atualmente em São Paulo, participa dos cursos e atividades do Clin-a, da Escola Brasileira de Psicanálise e da Federação Americana de Psicanálise da Orientação Lacaniana. Dedica-se integralmente à clínica psicanalítica, atendendo crianças, adolescentes e adultos.
Leituras comentadas & cursos
Atividades abertas a inscrição.
Leitura comentada
O Homem dos Ratos
4 encontros · 1h30 cada
Do caso freudiano da neurose obsessiva à releitura lacaniana.
1 A entrada em análise: o suplício dos ratos, o grande medo e a transferência.
2 A estrutura obsessiva: dúvida, ambivalência, isolamento e anulação retroativa.
3 O pai e a dívida simbólica: a leitura de Lacan em “O mito individual do neurótico”.
4 A posição do analista diante do obsessivo e a clínica hoje.
Turma em formação
Leitura comentada
O Caso Schreber
4 encontros · 1h30 cada
Do caso freudiano da paranoia, em Schreber, à clínica lacaniana das psicoses.
1 A singularidade do caso e a questão da paranoia.
2 O delírio como tentativa de cura: projeção e feminização.
3 A leitura lacaniana: foraclusão, fenômeno elementar e metáfora delirante.
4 A clínica das psicoses hoje e a posição do analista.
Turma em formação
Curso
O sintoma em Freud na primeira e na segunda tópica
4 encontros · 1h30 cada
O conceito de sintoma em Freud e suas transformações, do trauma à segunda tópica, até a leitura dos casos de neurose obsessiva.
1 Primeiro momento: trauma, reminiscência e o sintoma conversivo na histeria.
2 Segundo momento: o sintoma como formação do inconsciente e mensagem cifrada.
3 Terceiro momento: a segunda tópica, pulsão de morte e compulsão à repetição.
4 A questão do sentido nos sintomas neuróticos: análise de dois casos de Freud.
Turma em formação
Curso
Do sintoma ao sinthoma
4 encontros · 1h30 cada
O percurso de um conceito, do sintoma no ensino de Lacan ao sinthoma, com suas consequências clínicas.
1 O sintoma como metáfora: a mensagem cifrada endereçada ao Outro.
2 Do sentido ao gozo: o sintoma como satisfação pulsional, o que insiste e não cessa.
3 O sinthoma no Seminário 23: Joyce, o nó borromeano e o quarto elo.
4 Consequências clínicas: do desciframento ao saber-fazer com o sintoma e a suplência.
Turma em formação
Pagamento via Pix, cartão, boleto ou transferência. Os dados são enviados após a confirmação da inscrição.
Textos
Palavras da casa.
Fragmentos que conduzem à obra completa e às atividades de estudo.
“
Que haja amor à fraqueza.
Quase 60 anos atrás, em seu 17º seminário, Lacan falava sobre as voltas que um sujeito dá para lidar (ou deixar de lidar) com a falta.
Apegar-se a uma dita “verdade”, um suposto “saber”, algum imperativo que mascare o inerente vazio que permeia a experiência humana.
O amor, entretanto, diz de outra coisa… “Dar o que não se tem”, como ele coloca, seria o mesmo que Clarice coloca em seu livro “Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres”?
A escritora questiona se “amor é dar de presente ao outro a própria solidão, pois é a coisa mais última que se pode dar de si.”
Desafio complexo esse em tempos de excesso de gozo — especialmente através das falsas promessas do discurso capitalista, este que nem conversa com o amor. Como pensar em amor à fraqueza ou, dito de outra forma, dar lugar aos nossos vazios, considerando as nuances dos tempos atuais? Mal suportamos o silêncio do dia a dia sem telas que nos distraiam, mal suportamos as nossas singularidades estéticas antes de eliminá-las, mal suportamos o encontro com o outro se ultrapassa a superfície…
Há quem leve a vida assim sem questionar. Há também quem dê um voto de coragem ao se abrir para o que pode florescer de um vazio.
É uma aposta que tem seus riscos, com certeza. Ainda assim, para mim, parece que apostar no amor à fraqueza é quase que um ato subversivo em um tempo que não permite descanso, intervalos, faltas… Talvez dar ao outro a própria solidão traga algo de um respirar.
Sara França Castro“
Infelizes os que teimam em regulamentar o amor. Ele não cabe nos manuais prescritivos ou explicativos. O que o amor pede é a implicação na escolha do laço afetivo. É a entrega sem razão. Quando se tem que explicar ou justificar o porquê de estar junto a alguém, o amor se esvazia de amor.
Amar é estar disponível ao encontro dos vazios. Não há completude que dê conta. Numa relação amorosa corre-se o risco de querer tamponar o vazio do outro, de manter um vínculo de afeto na ordem da completude ou de se colocar como objeto do desejo do outro. Amar requer o saber-se incompleto. Na esfera da completude não há desejos, porquês e amor. Somos ao redor de um vazio. Assumir isso possibilita a invenção de novas formas de amar. Caso contrário, continuará no jogo do faz de conta: eu te preencho e você me preenche.
Dagmar Silva Pinto de Castro“
Que antes renuncie à prática analítica quem não conseguir alcançar em seu horizonte a subjetividade de sua época. (Jacques Lacan)
Estar à altura do seu tempo, na clínica, não é aderir ao discurso da época, nem combatê-lo em nome de um ideal. Lacan é contundente: quem não alcança a subjetividade de sua época deveria renunciar à prática analítica. Mas o que isso quer dizer hoje? Não se trata de confirmar identidades, nem de adaptar o sujeito às normas de bem-estar, produtividade ou felicidade. A subjetividade de nossa época se escreve nos discursos que atravessam os indivíduos e nos modos de gozo que os capturam.
Estar à altura do tempo é escutar o mal-estar próprio do contemporâneo que se reflete, entre outras coisas, na exigência contínua de desempenho, na promessa de completude sem falta, nos ideais de felicidade, no empuxo diário ao gozo. Na clínica, o psicanalista sabe que não pode oferecer soluções universais e nem tamponar com sentido o vazio e a falta constituinte do falasser.
Lacan nos convida a sermos do nosso tempo. Para ele, devemos “conhecer bem a espiral a que nos arrasta em nossa época na obra contínua de Babel, e que conheçamos nossa função de intérprete da discórdia das línguas”.
Clovis Pinto de Castro
Livros
Leituras da casa.
Lançamento em novembro
Ensaio · psicanálise
Não ceder de seu desejo
Não ceder de seu desejo nasce de uma obstinação. De quem, inoculado pelo “vírus da peste” freudiana ainda nos primeiros anos da universidade, nunca mais cessou de se interrogar. Reunindo ensaios escritos em diferentes tempos e contextos, o livro percorre a trajetória intelectual, clínica e subjetiva de Clovis Pinto de Castro, psicanalista de orientação lacaniana, e convida o leitor a adentrar a psicanálise como experiência viva de transmissão.
— Dr.ª Dagmar Silva Pinto de Castro, psicóloga e psicanalista, doutora em Psicologia pela USP
Atendemos em consultório, em São Paulo e São Bernardo do Campo, e também on-line. Para entrar em contato, envie uma mensagem para um dos números de WhatsApp indicados abaixo.
Preencha seus dados e a atividade de interesse. Retornaremos com a confirmação e as instruções de pagamento.
Trecho · Não ceder de seu desejo
O jogo do amor como aposta, invenção e risco
“Amor é privilégio de maduros […] Amor é o que se aprende no limite, depois de se arquivar toda a ciência herdada, ouvida. Amor começa tarde.” — Carlos Drummond de Andrade
No poema “Amor e seu tempo”, Drummond pontua que “Amor é o que se aprende no limite, depois de se arquivar toda a ciência herdada, ouvida”. Dito de forma direta: não há ciência explicativa do amor. O amor não segue as regras da razão. Como diz Ana Suy, “percebemos que o amor está no campo do não saber, visto que aquele que ama, o faz por razões desconhecidas”. Refere-se a uma experiência que não se deixa capturar em seu todo pela linguagem e pela previsibilidade. Suy nos lembra que essa característica não é defeito do amor. É a sua condição. Por estar no campo do não-saber, o amor escapa aos ditames da razão e às prescrições dos manuais de autoajuda. Ele não pode ser apreendido por meio de fórmulas universais.
É este não-saber do amor que o constitui como jogo cujas regras não sabemos. Se as regras fossem conhecidas, o amor não seria mais aposta, mas cálculo. Como afirma Marcos Antonio Vieira,
[...] é preciso ser tolo (dupe) para poder amar. É preciso negar a castração, para, no mesmo movimento reafirmá-la. É preciso nada querer saber para poder acreditar na miragem do Um e, por isso mesmo, morder o naco de real que o encontro amoroso propicia.
Drummond salienta que o amor “começa tarde” e é um “privilégio dos maduros”. O “tarde” não diz respeito apenas à idade cronológica. Representa o tempo lógico necessário para que o sujeito se confronte com aquilo que Lacan afirma: “não há relação sexual”. Para ele, “A relação sexual não se pode escrever”. Não está dizendo que não fazemos sexo. Mostra que “não há relação sexual” porque não existe uma fórmula, um saber que garanta a harmonia entre os sexos. O amor vem como suplência a essa impossibilidade. Não existe um programa inscrito que nos diga como nos relacionarmos com o outro sexo. Cada encontro é contingente, singular, sem garantias prévias. Não há completude possível. São sujeitos que se deparam com a alteridade radical de cada um. É na diferença que poderão inventar um amor. “O amor exige, de fato, um certo consentimento à falta”.
Há vários tipos de amor. O que se encontra com mais frequência é o amor romântico. Esta modalidade se sustenta na idealização de que é possível completar a falta do outro. No senso comum, é a busca da outra metade da laranja. Modalidade de amor que tampona a falta. Quando o sujeito abandona a ilusão neurótica de que existe uma complementaridade natural entre aqueles que se amam, surge espaço para a invenção. O amor só pode emergir quando consente com essa falta de saber sobre o outro. É no consentimento à “não-relação sexual”, à impossibilidade de complementaridade que o amor, como invenção, se torna possível. Quem ama é convocado a inventar soluções próprias para lidar com a ausência de saber prévio sobre como se relacionar. O amor maduro drummondiano pode ser lido como metáfora do amor que abandona a busca pela fusão imaginária. Ele cria maneiras singulares de fazer laço apesar da não-relação. Como observa Eliane Costa Dias, o amor é “um espaço entre, como um lugar de intervalo, ali onde a relação sexual entre homem e mulher não se escreve”. O amor se constrói no vazio entre sujeitos desencontrados. Não é fusão.